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Coberto Arbóreo - Melides

Nos últimos anos, o pinhal do Parque de Campismo de Melides, inserido na costa alentejana, tem vindo a evidenciar sinais claros de degradação progressiva. Para além do envelhecimento natural do coberto arbóreo, a região foi sucessivamente atingida por fenómenos meteorológicos extremos, cuja frequência e intensidade se têm agravado. Tempestades como a “Martinho” e outros episódios de vento muito forte e precipitação intensa provocaram o derrube de dezenas de pinheiros de alto porte, incluindo situações localizadas associadas a fenómenos convectivos de elevada intensidade que atravessaram o parque. Estes acontecimentos contribuíram para fragilizar significativamente a estrutura do pinhal.

Importa recordar que o pinhal funciona como uma verdadeira malha autoportante. As copas das árvores amparam-se mutuamente, reduzindo o efeito direto do vento, enquanto o enraizamento se desenvolve de forma entrelaçada, conferindo estabilidade ao conjunto. Quando surgem zonas de vazio, decorrentes do abate ou da queda natural de exemplares, as árvores remanescentes perdem essa capacidade de suporte mútuo, tornando-se mais vulneráveis. A progressiva ausência de copas contínuas e de sistemas radiculares interligados fragiliza a estabilidade global do pinhal.

Nos últimos anos, embora tenham sido realizados trabalhos de abate em áreas de risco, não ocorreram campanhas significativas de reflorestação que permitissem compensar, de forma estrutural, as perdas verificadas. Este desequilíbrio entre a remoção necessária e a reposição de novos exemplares contribuiu para a diminuição da capacidade autossustentável do coberto arbóreo.

Atualmente, em consequência da degradação progressiva do pinhal e dos fenómenos extremos registados, a equipa de manutenção encontra-se a proceder ao abate controlado de um conjunto de pinheiros identificados como estando em risco, com o objetivo primordial de salvaguardar a segurança de pessoas e bens.

Importa referir que, recentemente, o CCL adquiriu uma plataforma elevatória destinada a reforçar a capacidade de intervenção na manutenção do coberto arbóreo dos vários parques. Esta aquisição representa um investimento estrutural na prevenção, permitindo que, já a partir deste ano, sejam implementados programas regulares de manutenção preventiva dos cobertos arbóreos, em particular nos parques de maior densidade florestal, como é o caso de Melides.

Para os trabalhos atualmente em curso, foi igualmente alugado o meio mecânico adequado — equipamento elevatório que permite a desmontagem faseada das árvores, com maior precisão e controlo das áreas de queda. Durante o período de intervenção, recomenda-se o máximo cuidado na circulação de pessoas e viaturas, devendo ser respeitada toda a sinalização temporária e as orientações das equipas no terreno.

A equipa de manutenção do parque possui vasta experiência no abate de árvores em contexto de parque de campismo, realidade particularmente exigente devido à proximidade de unidades instaladas, materiais de campismo e infraestruturas técnicas. As intervenções são precedidas de avaliação individual de cada exemplar, definição de perímetros de segurança, implementação de medidas de proteção coletiva e individual, isolamento das áreas de impacto e utilização de equipamentos certificados, assegurando que os trabalhos decorrem com rigor técnico e segurança.

Numa perspetiva de futuro, é fundamental promover, de forma gradual e planeada, o rejuvenescimento do pinhal, assegurando a sua continuidade e capacidade autossustentável ao longo das próximas décadas. Atendendo a que o pinheiro é uma espécie de crescimento lento, torna-se igualmente necessário diversificar o coberto arbóreo, introduzindo espécies autóctones adaptadas ao Alentejo Litoral, algumas de crescimento mais rápido, que reforcem o sombreamento natural a médio prazo. A título exemplificativo, poderão integrar esta estratégia espécies como o sobreiro (Quercus suber), a azinheira (Quercus rotundifolia), o pinheiro-manso (Pinus pinea) ou o lodão-bastardo (Celtis australis). Esta diversificação, alinhada com os estudos técnicos já desenvolvidos na área da gestão florestal e da adaptação às alterações climáticas, reforça a resiliência face aos riscos crescentes, promovendo uma arborização sustentável.

Para o efeito, já foram plantados mais de uma centena de pés de pinheiro cedidos pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), encontrando-se igualmente previsto, no âmbito do Plano de Atividades e Orçamento para 2026, o plantio adicional de árvores de espécies autóctones. Este processo será articulado com o ordenamento das infraestruturas e dos espaços de acampamento, garantindo que a arborização futura se integra de forma equilibrada com a disposição das áreas ocupadas, reforçando simultaneamente a segurança, o sombreamento e a qualidade ambiental do parque.

A preservação das sombras naturais constitui, aliás, uma obrigação legal e uma dimensão essencial da própria génese do campismo, cuja prática assenta no respeito pela natureza e na valorização da biodiversidade. A manutenção e renovação do coberto arbóreo não podem ficar subordinadas exclusivamente ao conforto individual de cada utente, devendo prevalecer sempre a segurança das pessoas e a sustentabilidade ecológica do espaço. Neste contexto, apela-se à compreensão e ao espírito de colaboração de todos os sócios, conscientes de que estas intervenções visam proteger o parque, garantir a sua resiliência face aos riscos crescentes e assegurar que as gerações futuras possam continuar a usufruir de um espaço natural seguro e equilibrado.