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Desde as primeiras horas da madrugada de 2 de fevereiro de 2026, o Parque de Campismo da Costa Nova tem enfrentado inundações severas provocadas pelas chuvas persistentes e por vezes intensas que se fizeram sentir em continuidade nos últimos dias, no contexto de um comboio de tempestades que tem afetado Portugal continental em janeiro e fevereiro. Este fenómeno inclui os sistemas meteorológicos Ingrid (22-23 de janeiro), Kristin (final de janeiro), Leonardo (início de fevereiro) e Marta (fevereiro), todos com precipitação forte e ventos significativos que contribuíram para o agravamento das condições no território e para elevados níveis de acumulação de água no solo no parque .
O Parque da Costa Nova dispõe de quatro estações elevatórias de águas pluviais, que em situações normais de inundação drenam as águas acumuladas sem lamas para as áreas envolventes, nomeadamente a zona arborizada a sul e a área de estacionamento junto à praia da Saúde, no extremo norte. Embora os sistemas estivessem inicialmente a funcionar, rapidamente se demonstraram insuficientes face à enorme quantidade de água acumulada.
A equipa técnica reagiu de imediato, instalando bombas de reserva — que se revelaram insuficientes sobretudo no setor 1, correspondente à área de menor cota em relação ao nível médio das águas do mar. Nos primeiros dias, a elevada inundação obrigou à desativação das caixas de tomadas e dos candeeiros de iluminação pública, por motivos de segurança, para prevenir riscos elétricos.
A zona exterior a norte, que costuma inundar-se habitualmente todos os anos, apresentou desta vez níveis de inundação sem precedentes, chegando a retornar água bombeada para o interior do parque, dificultando as operações. Para reforçar a capacidade de drenagem, no dia 4 de fevereiro foi alugada uma bomba com mangueiras de 4″ de diâmetro, que permitiu resultados imediatos, estimando-se entre 500 a 600 m³ drenados na primeira noite.
Face à persistência da chuva e à quantidade de água em acumulação, foi necessário no dia seguinte reforçar novamente o sistema. A drenagem inicial dirigida para a zona exterior norte continuava a retornar para dentro do parque devido ao nível elevado de inundação, criando um circuito fechado de circulação de água. Para resolver esta limitação, foram alugadas mais três bombas com extensões de mangueiras suficientes para drenar diretamente para a praia, operação que teve resultados muito positivos, tendo sido possível drenar a maior parte da água acumulada nos arruamentos do setor 1 em cerca de 8 a 10 horas de trabalho contínuo.
Simultaneamente, e ainda em contexto de chuvas persistentes, a mata da zona sul, que recebe as águas escoadas do setor 4 e do parque de campismo Piedense atingiu a sua capacidade máxima, o que gerou um retorno de água para o interior e níveis de inundação naquele setor nunca antes observados. Esta situação começou a ter repercussões nos setores 2 e 3. A solução técnica encontrada passou por drenar as águas do setor 4 para o setor 1 e daí para além da duna primária, exigindo o aluguer adicional de lanços de mangueiras com comprimento adequado para essa operação.
Até à data, e tendo em conta tanto a área de inundação como os caudais das bombas em utilização, estima-se uma drenagem superior a 8 000 m³ de água acumulada no parque.
Todas estas operações exigiram um presença permanente, de dia e de noite, por parte das equipas de campo e de vigilância, com acompanhamento estreita da Área de Instalações e Técnica. A equipa de limpezas também foi mobilizada para colaborar na limpeza de sumidouros, caleiras e caixas de visita. Foram dias e horas de enorme esforço físico por parte de todos os trabalhadores do parque, muitos deles a atuar sob chuva, com o objetivo de proteger pessoas e bens. Também a equipa de receção tem sido incansável no atendimento telefónico aos utentes, na procura de informações sobre os danos registados.
Ao contrário de outras situações de emergência anteriores, não foi possível mobilizar equipas de apoio de outros parques, uma vez que todos eles enfrentavam problemas específicos decorrentes das tempestades — incluindo quedas de árvores, danos estruturais, ventos fortes, solos saturados e chuvas persistentes.
Durante estes dias, as autoridades municipais e entidades de fiscalização ambiental acompanharam as operações. O parque foi interpelado pelos SMAS de Almada, que verificaram que as descargas diretas para o coletor de águas residuais não estavam a ser efetuadas. A Divisão de Ambiente da Câmara Municipal de Almada também observaram a operação e a Polícia Marítima determinou a suspensão das descargas no final do dia 10 de fevereiro, até que fosse obtida autorização formal das entidades municipais, pedido que foi efetuado de imediato e que permitiu retomar as descargas no dia seguinte. A suspensão temporária causou um retrocesso significativo nos níveis de drenagem, mas espera-se recuperar integralmente nas próximas horas.
Estes fenómenos meteorológicos, tal como se tem verificado no panorama nacional afetado por tempestades extremas seguidas, são excecionalmente intensos, e não existe qualquer sistema de drenagem permanente que possa dar resposta plena a situações de acumulação tão severa .
Desde a primeira hora, o Conselho Diretivo do CCL disponibilizou todos os meios necessários para apoiar a rápida recuperação da normalidade. Todos os funcionários do parque, sem exceção, demonstraram um empenho acrescido — muitas vezes em circunstâncias pessoais igualmente difíceis — mas nunca desistiram de garantir a proteção de utentes, trabalhadores e infraestruturas.
Face à complexidade do problema e aos desafios surgidos a cada hora, foram adotadas as melhores medidas técnicas possíveis para assegurar uma resposta adequada e contínua à situação.













