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Tempestade Cláudia - Trabalhos de recuperação

Tempestade Cláudia – Trabalhos de Recuperação

Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, os parques do Clube de Campismo de Lisboa foram afetados por um período de instabilidade meteorológica particularmente exigente, marcado pela sucessão de depressões atlânticas, episódios prolongados de precipitação intensa e vento forte. Este contexto teve início com a passagem da depressão Cláudia, em novembro de 2025, responsável pelo fenómeno mais severo registado durante este período: um tornado que atingiu o Parque de Campismo de Ferragudo, no Algarve.

Apesar de ter tido uma duração de apenas alguns minutos, o tornado provocou estragos muito significativos, com a queda de numerosos pinheiros sobre equipamentos de campismo, destruição de caravanas e danos em mobil homes, avançados, cozinhas exteriores e outras estruturas ligeiras. A violência do fenómeno provocou ainda danos relevantes em diversas infraestruturas do parque, incluindo muros, vedação periférica, o campo de jogos e a estação elevatória de águas residuais, para além de obstruir vários arruamentos internos com árvores e destroços.

Durante dezembro de 2025, embora não tenham ocorrido fenómenos extremos comparáveis ao tornado de Ferragudo, registou-se um período prolongado de chuva persistente associada a vento forte, que conduziu à saturação dos solos e à consequente perda de estabilidade de árvores em vários parques. Esta situação contribuiu para o derrube de árvores e ramos de grande porte e para o agravamento de danos em equipamentos de campismo e estruturas ligeiras.

Já em janeiro de 2026, a passagem sucessiva de várias depressões atlânticas, iniciadas com a depressão Ingrid, prolongou este período de instabilidade, dificultando os trabalhos de recuperação entretanto iniciados e provocando novos episódios de queda de árvores e danos pontuais em infraestruturas.

Todos os parques do Clube de Campismo de Lisboa registaram impactos decorrentes destas condições meteorológicas, embora com níveis de severidade distintos. No Parque de Campismo de Almornos, verificaram-se sobretudo danos provocados por vento forte, que levou ao derrube de diversas estruturas associadas ao campismo, como coberturas, cozinhas exteriores e sistemas alternativos de sombra. Foram também registadas quedas de ramos de grande porte e a necessidade de intervenções preventivas no coberto arbóreo.

No Parque de Campismo da Costa da Caparica, a queda de pinheiros e ramos provocou danos em equipamentos de campismo instalados no parque, verificando-se também episódios pontuais de inundação em zonas de acampamento e em alguns arruamentos internos. Situação mais severa ocorreu no Parque de Campismo da Costa Nova, onde se registaram inundações significativas, com várias unidades de campismo submersas por vários centímetros de água. Para além dos danos provocados nos equipamentos de campismo e no mobiliário exterior, foram também registados problemas em infraestruturas elétricas, sistemas de drenagem pluvial e iluminação pública.

No Parque de Campismo de Melides, os efeitos da chuva persistente e da saturação dos solos traduziram-se num aumento significativo do risco de queda de árvores. Algumas árvores foram derrubadas naturalmente pelo vento, enquanto outras tiveram de ser abatidas preventivamente por razões de segurança, de forma a reduzir o risco para pessoas e equipamentos.

O Parque de Campismo de Ferragudo foi, contudo, o mais afetado. Para além dos danos provocados diretamente pelo tornado, registaram-se também impactos em redes elétricas, redes de água, arruamentos, vedação periférica e outros elementos estruturais do parque. De forma geral, os fenómenos meteorológicos ocorridos neste período provocaram danos tanto em equipamentos de campismo como em infraestruturas essenciais ao funcionamento dos parques, incluindo redes elétricas, redes de água, drenagem pluvial, arruamentos internos, muros de suporte e sistemas de iluminação.

Os danos registados tiveram impacto direto em diversos equipamentos de campismo pertencentes a sócios, tendo sido registadas situações de destruição total de algumas unidades. Em determinados casos foi necessário proceder ao realojamento temporário de utilizadores, assegurando condições de segurança e apoio imediato aos sócios afetados. Importa, contudo, sublinhar que não foram registados feridos ou acidentes pessoais, tendo os danos sido exclusivamente de natureza material.

Perante a situação, foram imediatamente ativados os procedimentos de emergência previstos nos planos de segurança dos parques. No caso de Ferragudo foi acionado o plano de emergência, tendo sido efetuada a evacuação dos utilizadores para pontos de encontro previamente definidos. Nos restantes parques foram igualmente estabelecidos pontos de encontro de segurança, destinados a concentrar os utilizadores presentes em caso de agravamento das condições meteorológicas.

As equipas de manutenção intervieram de imediato, procedendo à remoção de árvores e ramos caídos, à desobstrução de arruamentos e vias internas e à reposição das condições mínimas de circulação no interior dos parques. Para apoiar estas operações foi mobilizada a plataforma elevatória existente no parque, tendo sido igualmente necessário recorrer ao aluguer de plataformas adicionais para permitir a intervenção em altura e a remoção segura de árvores e ramos de grande dimensão.

Dada a dimensão dos estragos registados em Ferragudo, foi também necessário mobilizar recursos humanos de outros parques, tendo equipas provenientes da Costa Nova, Melides e Costa da Caparica sido destacadas para apoiar os trabalhos no Algarve. No total, entre seis e sete trabalhadores adicionais reforçaram as equipas locais, mantendo-se este apoio durante cerca de cinco semanas.

Desde então têm sido desenvolvidos diversos trabalhos prioritários de recuperação, incluindo a remoção de árvores derrubadas, a limpeza de destroços, a reparação de redes elétricas e de abastecimento de água, a recuperação de arruamentos e a reposição de equipamentos danificados. Alguns destes trabalhos encontram-se já concluídos, enquanto outros permanecem em curso, nomeadamente a remoção de raízes de árvores derrubadas, intervenções em redes elétricas, reparações em sistemas de drenagem e recuperação de infraestruturas danificadas.

A necessidade de mobilizar equipas e recursos para responder às situações de emergência obrigou, no entanto, ao adiamento de diversos trabalhos de manutenção e requalificação previamente planeados em vários parques. 

  • Almornos: reabilitação da Casa Abrigo, manutenção geral do coberto arbóreo, requalificação do sistema de correr do portão de entrada/ saída;
  • Costa da Caparica: Substituição do sistema de aquecimento de águas sanitárias do bloco numero 4 e alteração integral da rede elétrica interna da peixaria/ minimercado;
  • Costa Nova: conclusão da reabilitação da Casa Abrigo, conclusão da manutenção do coberto arbóreo, conclusão da requalificação da casa de madeira, deslocalização de 4 unidades de campismo, requalificação da vedação e iluminação do campo de jogos;
  • Melides: conclusão da requalificação do bungalow 4, substituição do pavimento exterior da zona de lavagem de louça do bloco sanitário numero 1;
  • Ferragudo: reparação das caixas de tomadas, travessia subterrânea para cabo elétrico do bloco sanitário numero 7 e substituição do sistema de aquecimento de águas sanitárias do mesmo.

Apesar da dimensão das ocorrências, todos os parques encontram-se atualmente operacionais, mantendo-se ainda alguns trabalhos de recuperação em curso. A conclusão das intervenções está prevista para março na Costa Nova e Costa da Caparica (abate de pinheiros em risco), abril em Melides e junho em Ferragudo.

A experiência vivida neste período veio igualmente reforçar a necessidade de aprofundar os mecanismos de prevenção e resposta a fenómenos meteorológicos extremos. Nesse sentido, considera-se oportuno avaliar a possibilidade de, em determinadas circunstâncias de risco elevado, serem adotadas medidas de evacuação total dos parques de campismo, sempre que as previsões meteorológicas ou as recomendações das autoridades competentes o justifiquem.

Tendo em conta a natureza cada vez mais imprevisível destes fenómenos, poderá revelar-se adequado estudar a implementação de procedimentos que permitam acionar de forma célere e eficaz a evacuação segura dos parques, mediante recomendação da Área Técnica ou por determinação das entidades oficiais competentes, garantindo que estas operações possam ser realizadas em tempo útil e de forma organizada.

Este processo de reflexão deverá igualmente considerar as especificidades de utilização dos parques, incluindo situações de permanência prolongada de utilizadores, de modo a assegurar que os planos de emergência e os procedimentos de evacuação se mantêm adequados às realidades operacionais existentes e às exigências crescentes em matéria de segurança.

É notório o esforço dos operacionais do Clube, que responderam prontamente às situações de emergência, muitas vezes em condições particularmente exigentes, bem como aos sócios que colaboraram nos trabalhos de limpeza e apoio, demonstrando um forte espírito de solidariedade. É igualmente devido um agradecimento às entidades externas e parceiros que prestaram apoio técnico e operacional durante este período.

Os acontecimentos ocorridos demonstraram a capacidade de resposta e resiliência do Clube, bem como a importância de manter elevados padrões de manutenção e segurança nas infraestruturas. Pese embora os constrangimentos financeiros, o CCL continuará a investir na prevenção de riscos, na melhoria das infraestruturas e no reforço dos procedimentos de segurança, garantindo que os seus parques permanecem espaços seguros e preparados para enfrentar fenómenos meteorológicos cada vez mais exigentes.

 

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